Artigo: Para além do silêncio dos arquivos – O acervo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a investigação Historiográfica

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As primeiras misericórdias, fundadas nos alvores da Época Moderna, assumiram, desde cedo, um carácter original no que diz respeito às práticas de assistência à população. Levando a cabo uma actuação mais global, baseada nas catorze obras de misericórdia, estas associações de leigos foram, de certo modo, inovadoras. Distinguiam-se das confrarias medievais por dirigirem a sua actuação para um público mais alargado e, também, por uma gama mais diversificada de serviços que prestavam à comunidade:acompanhamento de doentes, apoio material, judicial e espiritual aos presos e condenados à morte, resgate de cativos, assistência às camadas mais pobres da população, enterramento dos mortos, dotação de órfãs e, mais tarde, com a tutela administrativa dos hospitais locais, o sustento de crianças enjeitadas.

Todo este vasto programa de apoio material aos mais desprotegidos era complementado por práticas de auxílio espiritual e por uma forte presença no quotidiano religioso, através de uma participação activa nos enterros, procissões e em algumas das principais celebrações litúrgicas.

Texto de FRANCISCO D’OREY MANOEL e NELSON MOREIRA ANTÃO

Director do Arquivo Histórico e Técnico do Arquivo Histórico

Fonte: Revista Cidade Solidária n.º 24
Edição: SCML, 2010

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